Se muitos pensam, e a verdade é que pensam,que grande parte de êxito de António Pessoa foi tudo uma questão de sorte,estão redondamente enganados.Talvez,digamos,que muito possivelmente o artista tenha nascido com o "coiso" virado para a lua,mas o mais certo e justo é efectivamente concluir que Pessoa...António parece ter sempre sabido fazer-se rodear e acompanhar de colaboradores não só polifacéticos mas essencialmente inventivos.
E um grande exemplo desta teoria foi a posta en prática do Ciclo Zodiaco em 2003,já o artista vivendo e trabalhando em Barcelona.
Tanto Luis Santiago como Pierre Fontanals mostraram-se à altura da situação tanto mais que a operação foi concluida com extrema eficácia,organização e actuação em termos de tempo real,aquilo que no corrente anglicismo se conhece por "Timing".
O Ciclo Zodiaco,inventado por Gala e Salvador Dali em Paris em plenos anos 30,baseava-se na idea de que cada colecionador de arte se comprometia a adquirir um quadro do artista catalão uma vez por ano.
Isto somado por algumas dezenas de colecionadores permitiu a Gala e Dali usufruir de uma metódica situação financeira que por assim dizer lhes permitia um nivel de vida adequado às extravagâncias do casal sem deixar obviamente de mencionar o facto que esta tranquilidade económica fez com que o então jovem surrealista pudesse de facto dedicar-se de corpo e alma ao trabalho sem a necessidade de fazer qualquer tipo de cedências.
Dito e feito.Pierre Fontanals conhecedor deste modus operandi,aproveitando eu desde já a oportunidade de referir e salientar o facto de que seus pais eram amigos intimos de Salvador Dali,convence António Pessoa a fazer o mesmo,ou pelo menos a editar uma nova versão da ideia.O sitio e o momento eram mais que propicios,isto é,Barcelona 2003,precisamente numa altura em que a Obra do artista luso começa a chegar e a suscitar interesse não só na Europa como também no outro lado do Atlântico,nomeadamente Chicago e Indianopolis.
Por conseguinte,mãos à obra e a arregaçar as mangas.Pierre Fontanals,António Pessoa e Luis Santiago,com a imprescindivel participação de Vicente Fernández Lago,começam a recompilar todos os clientes da Obra do artista até à data.Em 2003,segundo fontes fidedignas
o resultado final ascendia a mais de um milhar de regulares.
O projecto e o programa do Ciclo Zodiaco foi enviado imediatamente via postal ou email,obtendo num curto espaço de tempo uma adesão satisfatoriamente surpreendente.
Deste modo António Pessoa libertava-se de compromissos pouco aliciantes com galerias de arte,passando a vender directamente aos colecionadores e a organizar exposições da sua Obra por sua própria conta e risco.
A sua situação financeira triplicava de un dia para o outro,um fundo de maneio que o artista e os seus colaboradores através de um excelente trabalho de equipa não perderam tempo em investir,viagens Europa e Estados Unidos,longas estadias em luxuosos hoteis,web designers,e dinner-parties onde era convidada a elite de Barcelona,potenciais novos colecionadores,jovens criticos de arte de toda a zona Euro e como não podia deixar de ser directores de galerias de arte,os quais mesmo não usufruissem do privilegio de se encontrarem no top 10 dos VIP,dadas as novas circunstâncias,também não eram nada para se deitar fora.
António Pessoa,mais do que nunca antes,envolve-se num sistema de trabalho,divulgação e comercialização da Obra,totalmente independente do lento e entediante esquema das galerias de arte.
Muito mais que proveito financeiro,estimulo laboral e satisfação pessoal,o Ciclo Zodiaco traz à vida de António Pessoa uma refrescante dose de adrenalina,inspiração,tranquilidade e decididamente,motivação.
Hoje em dia e graças ao Ciclo Zodiaco,o artista luso conta com um número,a bem dizer,inconfessável de clientes regulares da sua Obra,que em última análise lhe permite dar-se ao luxo de efectivamente poder escolher as opções e situações que mais lhe agradam e certamente as mais adequadas ao seu temperamento,Obra e ambições .